sábado, 7 de agosto de 2010

Primeira florada

Vou contar esta história. Ninguém vai ler mesmo...

Dia desses, eu estava na casa de um primo, um tarado por café, quando rolou um papo: café gourmet, micro lotes, café moído na hora, corpo, acidez, doçura.

Aquilo me soou excessivo. Café é café. Certo, uns são melhores, outros menos. Mas o que mais pode haver dentro de uma xícara? A semente de um fruto, torrada e moída, uma infusão em água quente, uma colherada de açúcar, ou umas gotas de adoçante. Quem sabe um queijo Minas, uma broinha.

Vinho, sim,  é complexo. Cevejas artesanais também. Já tinha lido sobre blends de chás, e tal. Mas café...

Fui então com o primo tarado numa feira de negócios, onde ele me mostrou a diferença entre um café natural, um cereja descascado, e outro despolpado. Conheci um torrefador, um degustador, um dono de cafeteria. Vi uma máquina de filtrar café que custava o mesmo que um carro popular, e outras de espresso que pareciam bólidos de Pininfarina. 

Me entusiasmei. Comecei folheando um livro de mentira, Coffee, de um tal Dr. Eugen C. Bürgi. Possivelmente, uma invenção borgiana, da Casa do Livro Eldorado, do Rio de Janeiro, escrito em inglês, impresso na Espanha. Nenhum vestígio no Google, logo, inverossímil. Mas as receitas parecem ótimas.

O capítulo sobre o café da História do Mundo em 6 Copos, de Tom Standage, clareou a história da bebida, os mitos que colorem suas origens, a longa e divertida viagem do grão desde o "chifre" da África através dos cinco continentes, e a sua suposta participação em eventos históricos.

Mas eu precisava de mais. Vasculhei sites nacionais, revistas. 

No meio do caminho, topei com o Cafuné. Por acaso, como geralmente é. Mas o Cafuné merece um post solo.

Cheguei até 101 razões para tomar café, do Dr. Darcy Roberto Lima. Muito bem escrito, leve, em pequenas doses. Um passatempo.

E eu precisava de mais.

Avancei para o Guia do Barista, do Edgard Bressani. Este, duas aventuras: a primeira, encontrá-lo, um garimpo que me tomou horas pelo centro da cidade; a segunda, um mergulho no universo do café, complicado de entender dentro das limitações de páginas finitas, sem poder cutucar o Edgard e pedir um esclarecimento aqui, uma demonstração ali.

Agora, aguardo uns livros do Scott Rao. Como demora a passar o tempo quando a gente está esperando o correio chegar...


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